12 abril 2015

Onde ir no Recife: Jardim Botânico

Jardim Botânico do Recife. Foto: +Karla Vidal 

Estamos trabalhando na produção de um livro que, entre muitos outros aspectos, vai abordar questões relacionadas à Amazônia. Para elaboração do projeto gráfico precisávamos de imagens com referência direta à natureza: plantas, fungos, flores etc. Foi assim que carregamos o equipamento e partimos em direção ao Jardim Botânico do Recife.

Apesar de ter sido criado em 1960, o Jardim Botânico do Recife só foi aberto para visitação do público em 1989. Desde essa data a área de proteção ambiental passou por algumas reformas, a mais recente delas realizada em 2013. Morando no Recife há mais de 15 anos foi a primeira vez que visitei o equipamento público.

O acesso é gratuito e o espaço todo muito bonito e extremamente bem cuidado. Há funcionários espalhados por todos os lados, todos muito simpáticos e bem informados. As trilhas são bem sinalizadas e o sinal de internet funciona muito bem.

Fotos: +Karla Vidal 

São diversos ambientes interligados por trilhas. Logo na entrada você será informado de quais trilhas estão interditadas. Um dos guardas com quem conversamos por alguns minutos nos informou que sempre há trilhas interditadas por diferentes motivos. Naquele momento a razão de uma interdição era a queda do fruto de uma das árvores que poderia causar acidentes. Segundo ele a semente era uma espécie de coco do tamanho de uma bola de futebol e costumava cair com muita frequência nessa época do ano.

As trilhas são encantadoras e você se sente realmente no meio da floresta. A mata está perfeitamente conservada e o estímulo visual de quem foca nos detalhes é acionado a cada segundo. São folhas, flores, insetos, feixes de luz, reflexos e uma série de outras cenas cativantes.

Foto: +Karla Vidal 

Passamos alguns minutos conversando com alguns guardas florestais que nos contaram um pouco da história do lugar entre uma picada de mosquito e outra. Aliás, essa é uma dica importante para quem deseja visitar o lugar. Use calças, sapatos fechados e camisas com manga porque há muitos mosquitos e outros insetos no ambiente. Se você se incomoda muito com isso evite o passeio. É importante lembrar que o convidado naquele ecossistema é você. Outra dica é tentar evitar maquiagem e outros cosméticos. O cheiro pode atrair mais insetos ou incomodar outros animais. É bom lembrar que o clima lá é extremamente úmido. Ao insistir na make o resultado final será desastroso porque vai derreter.

Não há comércio por lá. Mas, há outros ambientes onde é possível parar para admirar a natureza e fazer um lanche ou um pique-nique. Só lembre de levar água, comida e sacos para transportar seu lixo.

Orquidário e passadiço. Fotos: +Karla Vidal 

Em uma das trilhas há um meliponário que são casinhas de madeira onde vivem colônias de abelhas. Nas trilhas as espécies de plantas estão sinalizadas e os textos trazem informações científicas e outras bem curiosas sobre as plantas. Uma que me chamou atenção foi o Pau de Jangada. Conversando com outro guarda florestal muito simpático descobrimos que essa árvore, como o nome já diz, foi muito explorada para a produção de jangadas e quase foi extinta. Segundo ele a árvore foi mais explorada do que o Pau-Brasil.

Foto: +Karla Vidal 

A região do orquidário é uma das áreas mais bonitas do Jardim Botânico. O ambiente está todo cercado por água onde também vivem exuberantes plantas aquáticas, peixes e répteis: tartarugas, tracajás e cágados. Há passadiços de madeira que permitem que você se situe sobre a água para observar os animais e as plantas bem de perto. É uma área muito aconchegante.

Foto: +Karla Vidal 

Outra experiência bem interessante é o Jardim Sensorial onde é possível estimular os sentidos experimentando ouvir, tocar, comer e cheirar os elementos nele dispostos. É muito divertido! E por falar em diversão, há placas espalhadas pelos jardins internos produzidas especificamente para promover interação com as crianças. São pistas que as vão levando a descobrir espécies de plantas e animais. Tudo muito bem pensado. Uma iniciativa educativa muito importante na formação da criança enquanto cidadã que deve respeitar o ecossistema.

Foto: +Karla Vidal 

Também há jardins específicos de palmeiras, cactos e bromélias. Observar os nomes populares atribuídos aos cactos é uma experiência bem curiosa.

O Jardim Botânico do Recife é todo acessível. Há guias de acompanhamento e acesso para cadeirantes. Os espaços de apoio contam com bancos e banheiros. Tudo muito bem organizado. Está localizado no Curado com acesso pela BR. Acesse esse mapa para saber direitinho como chegar. Confesso que fiquei me perguntando sobre o motivo de não ter feito esse passeio antes.

E quantos as imagens para o projeto do livro deu tudo muito certo. Algumas espécies que lá vivem são nativas de várias regiões do Brasil, entre elas a Amazônia. A seguir, mais imagens:

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal

Foto: +Karla Vidal

Foto: +Karla Vidal

03 abril 2015

5 inspirações para a Páscoa

Imagem by Chloe Fleury

Lembro muito bem de uma série de discursos que ouvia na escola quando criança. Nesse período de Páscoa havia muitas mensagens positivas que os professores adoravam repetir ano após ano. Uma das que mais gostava era a que se baseava no renascimento ligado diretamente à ressurreição de Cristo para a cultura cristã.

Essa coisa de renascimento muito me agrada porque dialoga perfeitamente com questões de design e criatividade. O que seria uma ideia se não um renascimento? Para mim criar é sempre preparar elementos para um novo nascimento. Digo novo porque quando criamos algo, o fazemos dentro de um contexto, lançando mão de elementos que já existem e que são combinados para dar forma à ideia. Isso acontece mesmo na elaboração de uma ideia que busca ser original. Eu acredito que o real valor da originalidade é essa busca por ser diferente, mas temos que concordar que mesmo uma ideia que ninguém teve é pautada em elementos que estão no mundo, portanto já existem.

Eu gosto mais do termo renascimento do que do nascimento propriamente dito. Gosto mais porque renascer é mais diverso, é mais colorido. No renascer, na minha opinião, não há tanto compromisso em ser único ou ser de um só. O renascer é a situação que permitiu a falha, permitiu o erro e consequentemente possibilitou a aprendizagem. Renascer é uma nova tentativa, um jeito de fazer diferente. Se vai ser melhor, o que vai determinar é a experiência e a vontade do criador. Experiência sem vontade não significa muito.

Essa divagação toda foi uma introdução para mostrar pra vocês cinco inspirações para a Páscoa que talvez ajudem a entender o que eu quis dizer. É a reunião de uma série de elementos pertencentes ao imaginário coletivo de Páscoa que renasceram de formas muito criativas e cheias de valor.

5 coisas lindas de Páscoa



1. Essa decoração

[projeto aqui by Chloe Fleury]

2. Esses ovos

[projeto aqui by  I'd like to be Studio]


3. Essas cenouras

[projeto aqui by Vixyblu]


4. Essa guirlanda

[projeto aqui by Titatoni]


5. Essa sacola

[projeto aqui by Merrilee Liddiard]

Espero que tenham gostado da seleção. Se conhece ou fez algum projeto parecido, posta o link nos comentários para que possamos apreciar. Boa Páscoa a todos!

17 março 2015

Criatividade na escola: construindo novos cenários de aprendizagem

Texto e imagens: +Karla Vidal 

Nesta semana a Abble Estúdio de Aprendizagem e a Pipa Comunicação lançam na web o livro Cultura Digital na Escola: habilidades, experiências e novas práticas, de autoria dos pesquisadores Alex Sandro Gomes, Pasqueline Dantas Scaico, Lays Rosiene Alves da Silva e Ivson Henrique Bezerra dos Santos, todos vinculados à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em abril a obra também será publicada em edição impressa.

Cultura Digital na Escola inaugura a Série Professor Criativo: construindo cenários de aprendizagem. Os volumes têm como objetivo oferecer a professores e pesquisadores conteúdo capaz de fomentar a discussão sobre inovação da prática de ensino. Mais do que promover o confronto entre os paradigmas conservador e inovador, a obra pretende promover um diálogo menos conflituoso entre esses dois pontos de vista.

O que se vê hoje é um cenário que coloca práticas inovadoras em contraposição direta com modelos que, de alguma maneira, já fazem parte do cotidiano dos professores em sala de aula. Mas, é ainda insuficiente a reflexão sobre como as práticas já utilizadas podem dialogar com estratégias inovadoras a fim de garantir uma participação mais ativa dos alunos e uma aprendizagem mais efetiva.

Tecnologias não resolvem problemas sozinhas, mas o seu uso pode ser associado a práticas criativas que aumentam o engajamento e empoderam tanto professores quanto alunos.

Um exemplo claro e atualmente muito discutido são as estratégias de Sala de Aula Invertida (do inglês Flipped Classroom) que lança mão das tecnologias digitais, prática considerada inovadora, associadas a atividades de exposição, compreensão e discussão sobre conteúdos, lógica que já faz parte da sala de aula há muitos anos e que agora ganha um novo arranjo. Na Sala de Aula Invertida os alunos estudam o conteúdo em casa, por meio de videoaulas ou outros recursos interativos, e na sala de aula são postos em prática exercícios e atividades em grupo em que o professor aprofunda o tema participando ativamente e estimulando discussões. As práticas de Sala de Aula Invertida são um exemplo claro de como o diálogo entre a inovação e o tradicional pode acontecer de forma simples e harmônica.

Outro exemplo que desmistifica a complexidade no uso das tecnologias aplicadas à educação é o modelo de Ensino Híbrido (Blendend Learning) que mistura momentos em que há uso da tecnologia digital, geralmente online, com situações nas quais a tecnologia digital não está presente. Nesse último caso os professores propõem atividades que valorizam as interações interpessoais face a face.

É bem verdade que a explosão das tecnologias digitais causou certo espanto e em muitos casos até medo nos professores. Movimento natural que aconteceu em diversos outros momentos da história quando novas tecnologias despontaram. Na segunda parte do livro Cultura Digital na Escola os autores discutem justamente sobre as experiências de uso das tecnologias na prática docente, que acontecem há vários séculos. No livro os autores apresentam o exemplo de Commenius e Pestalozzi, entre os séculos XVI e XVII, que já utilizavam abundantemente materiais educativos no contexto do ensino da Geometria. A tecnologia, digital ou não, seria então uma ferramenta de estímulo que pode garantir bons resultados tanto na aprendizagem dos alunos, dentro e fora da sala de aula, quanto nas práticas pedagógicas dos docentes que, ao conhecer e utilizar a tecnologia, são capazes de construir novos e múltiplos cenários de aprendizagem para seus alunos e para si.

O eBook apresenta um capítulo inteiro dedicado ao planejamento detalhado de novas práticas em que são utilizados diferentes materiais, sejam eles tecnologias digitais ou não, a exemplo das redes sociais, RPG, filmes, jogos e desenhos. São seis modelos de cenários de aprendizagem prontos para serem postos em prática ou servir como inspiração para os docentes.

Mas o que é um professor criativo?



Para Alex Sandro Gomes, professor do Centro de Informática da UFPE e um dos autores do livro Cultura Digital na Escola, a criatividade é uma forma de ultrapassar fronteiras. “A professora ou o professor criativo é aquele cuja atuação renova a definição de sua própria prática e as de outros professores. Ela, ou ele, não se limita a modelos e formatos e propõe novas formas de educar. Ao construir novos cenários, usa e é capaz de desenvolver uma ampla gama de situações com recursos e dinâmicas”, afirma. Além da atuação acadêmica, Alex Sandro Gomes também articula uma série de atividades de formação e inovação como o estúdio de aprendizagem Abble, cujo foco é a formação de professores, e as comunidades de software livre Amadeus e Openredu.

Já Leila Ribeiro, doutoranda em Ciência da Informação na Universidade de Brasília (UnB) acredita que a criatividade está diretamente ligada ao exercício de empreender. “Educador criativo é aquele que não tem medo de conhecer, não se esquiva do novo, questiona o que todo mundo segue sem questionar e experimenta, mesmo fazendo caretas. Ser criativo não é um dom, muito menos um conceito de “ser artista”. Ser criativo é pensar diferente do igual, é tentar outras maneiras, mesmo que pareça existir apenas uma. Ser curioso é essencial para o professor criativo”, afirma. Educadora e ativista pela vida em rede on e off-line, Leila realiza amplo trabalho de conscientização docente no site www.sala.org.br através das experiências de professores, muitas delas diretamente ligadas ao exercício da criatividade. “Sempre faço uma analogia com Alice no País das Maravilhas: ela não tinha medo do que via e tudo era completamente fora do convencional. Alice era uma exploradora, não havia perigos ou príncipes para salvá-la, só havia um mundo incrível para ser desbravado e conhecido por ela. Talvez seja isso: precisamos ser mais Professores Alice #curiouser”, conclui.

Tanto Alex Sandro Gomes quanto Leila Ribeiro acreditam que a criatividade é uma questão de movimento, de ação e superação. Mas, esse ponto em comum não está presente apenas na opinião de professores com anos de experiência de prática docente. Daniella Duarte é professora recém-formada e ministra suas aulas em uma escola particular do Recife há pouco mais de 1 ano. Vem transformando sua prática pedagógica desde quando integrou a equipe do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e Ministério da Educação (PIBID/CAPES/MEC), cujo foco são atividades de iniciação à docência para os estudantes das licenciaturas. No programa, Daniella atuou em escolas da rede pública onde teve a oportunidade de pôr em prática uma série de estratégias para o ensino da linguagem, mais precisamente sobre Gêneros Textuais, em que vídeos, jogos, desenhos e outros recursos foram utilizados. As experiências do Pibid Letras da UFPE viraram séries de livros digitais para dar suporte à formação de muitos outros professores. “Ser um professor criativo é conhecer os gostos musicais, literários, cinematográficos do aluno. É conhecer o universo no qual o aluno está inserido, seja ele qual for. Ser um professor criativo é ser aberto a críticas, reconhecer o erro, investir no futuro. Ser um professor criativo é unir a teoria acadêmica à prática, ao contexto de cada sala de aula. É superar limites (de tempo, de cansaço, de curiosidade). É, acima de tudo, estar feliz em ampliar o universo de tantos alunos”, comenta.


Cultura Digital na Escola: habilidades, experiências e novas práticas está disponível para aquisição na Livraria da Pipa: http://www.pipacomunica.com.br/livrariadapipa. Para garantir o máximo alcance da obra os professores interessados poderão escolher entre o formato impresso ou o digital. A edição digital já está à venda pelo valor promocional de lançamento de R$ 9,90. Já a edição impressa poderá ser adquirida em abril pelo valor de capa de R$ 34,90, com frete gratuito para todo o território nacional.


15 março 2015

Fotografia e memória: negativos, digitalizações e afeto

Imagens digitalizadas a partir de negativos de filme preto e branco datados de 2004. Fotos: +Augusto Noronha e +Karla Vidal 

Andei revirando arquivos e estimulando sentidos nos últimos dias. Em dezembro passado decidi me dar de presente um equipamento que já vinha namorando há anos, mas que acabava nunca comprando por questões de prioridade. Meus investimentos em equipamentos fotográficos costumam ser muito bem pensados e planejados porque a grana é curta. Para tornar a aquisição possível eu conto exclusivamente com a ajuda de familiares que moram fora do país e que podem me ajudar no envio de acessórios e lentes. Foi o que aconteceu com o personagem principal desta postagem, o Rollei DF-S 100 SE Scanner de diapositives et négatifs que pude comprar direto na França graças a minha querida irmã +anne sophie lahalle (o que seria de mim sem vocês aí?) que veio ao Brasil e trouxe a encomenda pra mim.

Foto: 2015 CC +Karla Vidal 

Comprei o scanner logo após o lançamento do meu livro Anônimos, Famosos e Viajantes onde estão publicadas fotografias que produzi em processo analógico. O processo de digitalização das cópias já reveladas foi bem árduo e decidi investir no equipamento para caso haja a necessidade de novas edições. Isso porque, além das imagens que compuseram o livro, ainda tenho dezenas de fotogramas inéditos que gostaria muito de publicar. Se você não conhece o livro clica aqui que o download é gratuito.

A compra foi super curiosa. Pesquisei muito sobre os equipamentos para chegar a algo que atendesse minha necessidade numa faixa de preço humano. O bom é que na França esses equipamentos possuem preço bem justo. Depois de muito pesquisar cheguei a dois modelos, um da marca Veho e um da Rollei. Além da reputação da marca alemã Rollei, o que motivou também a decisão final foi a possibilidade de usar um cupom de desconto de 10 euros e mais um desconto de Natal no valor de 5 euros. Com todos esses benefícios o produto saia por 54 euros (184 reais na época) com entrega em 24h. Não tinha como não comprar.

Fotos: 2015 CC +Karla Vidal 

E foi um dos melhores investimentos que fiz na vida. Para quem deseja qualidade extra-mega profissional existem melhores opções no mercado, incluindo edições da própria marca Rollei, mas para as minhas necessidades a compra foi fantástica. O equipamento é simples, pequeno e completo, do jeitinho que eu gosto. Possui um corpo de pouco mais de 15 centímetros de altura fácil de posicionar em qualquer lugar e três pranchas para encaixe dos filmes, sendo duas para slides e diapositivos e uma para negativos, tudo bem projetado com espaços específicos para acondicionar corretamente e não danificar os filmes. O processo de digitalização é muito simples, basta apertar alguns botões e tudo é salvo em um cartão de memória do tipo SD.

Foto: 2015 CC +Karla Vidal 
Além de garantir a digitalização dos negativos em bons arquivos com 1.800 dpi e dimensões em pixels de 2520 x 1680, o scanner desempenhou outro importante papel, o estímulo da memória. Comecei a fotografar na adolescência e tenho negativos desde então. O scanner possui um display onde se pode ver os fotogramas um a um. A cada fotograma que via sentia uma emoção diferente. Comecei a lembrar dos momentos vividos, das situações que contextualizavam cada imagem e até de cenas que nem lembrava que havia registrado. Algumas delas que não quis mostrar na época porque quando era aprendiz ainda tinha o pensamento muito condicionado e acreditava que tudo que produzia era ruim. Ainda bem que a gente amadurece.

Fiquei realmente emocionada e muito satisfeita de poder desempacotar os meus negativos e viver essa experiência que para mim é nova. Não a experiência de recordar através das imagens, mas sim a experiência de rever as minhas imagens e perceber que o material que produzi e que antes eu achava que não tinha tanto valor, está completamente carregado de outras memórias que não são só minhas, são das pessoas que registrei, dos locais que fotografei e do contexto social que ficou imortalizado em cada fotograma. Se essa não for a melhor contribuição da fotografia na vida das pessoas, não sei mais qual possa ser.

Cena fotografada no Parque 13 de maio, no Recife, em 2002. Foto: +Karla Vidal 

Dos meus negativos algumas novas séries surgirão. Prometo publicá-las no http://karlavidal.com.br/. As imagens do início dessa postagem foram feitas em filme Kodak Tri-X, reveladas em laboratório e digitalizadas no scanner DF-S 100 da marca Rollei. Foram feitas em 2004, há mais de 10 anos, quando eu e +Augusto Noronha começamos a namorar. Os clicks onde apareço são dele e aquele em que ele aparece é meu.

E vocês, que afetos carregam os seus filmes?


03 março 2015

Gêneros em Debate: pôsteres acadêmicos

Foto: +Karla Vidal 
O Núcleo de Investigações Sobre Gêneros Textuais da Universidade Federal de Pernambuco (Nig/UFPE), em parceria com a Pipa Comunicação, acaba de lançar o eBook Gêneros em Debate: pôsteres acadêmicos. Organizado por Angela Paiva Dionisio, Ana Cristina Gomes da Penha e Najara Ferrari Pinheiro, a publicação constitui os Anais Eletrônicos do IV Encontro Gêneros na Linguística e na Literatura que aconteceu em 2013 na UFPE.

Composta a partir da seleção de 41 pôsteres apresentados durante o evento, a publicação coloca em pauta a importância do gênero pôster acadêmico como meio de divulgação de projetos que têm como essência o diálogo entre diversas linguagens. “Esse gênero valoriza a multimodalidade, tornando-se, pois, um meio dinâmico para apresentação de resultados de pesquisas ou atividades desenvolvidas na Universidade”, afirmam as autoras. Também é objetivo da obra reforçar o caráter científico do pôster acadêmico, muitas vezes colocado em xeque até mesmo dentro da academia.


Foto: +Karla Vidal 
O eBook também é um registro digital do material produzido pelos pesquisadores originalmente para fins impressos. É uma forma de ampliar o alcance do conteúdo para além dos dias de exposição no evento. Uma proposta pouco vista no que se refere ao gênero anais de eventos que geralmente trazem o resultado das pesquisas apresentados em forma de artigo.

A iniciativa também pode ser vista como uma importante fonte de pesquisa do gênero pôster acadêmico, já que elenca uma série de olhares diferentes, em que cada autor teve a oportunidade de ilustrar sua pesquisa através do desenvolvimento de interpretação gráfica própria. “O livro está repleto de interpretações diferentes desenvolvidas a partir de um modelo de pôster sugerido como guia. A partir daí cada autor desenvolveu um método particular de expor sua pesquisa de forma visual, através do diálogo entre texto, imagem, gráfico ou ilustração. Os caminhos escolhidos pelos autores para promover esse diálogo entre os elementos são, a meu ver, mais um importante objeto de estudo agora disponível para análise através do eBook”, conclui Karla Vidal, editora executiva da Pipa Comunicação, editora responsável pela obra.

Foto: +Karla Vidal 

Gêneros em Debate está disponível com uma Licença Creative Commons 4.0 internacional. O acesso é gratuito e pode ser realizado através do link: http://issuu.com/pipacomunica/docs/ebook-generos2013-ufpe. Para aqueles que desejam realizar o download em PDF (46 MB) o link de acesso é: http://nigufpe.com.br/Generos/2013/ebook-generos2013-UFPE.pdf

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